Vitória na rádio

Relatório Anual do UNICEF Moçambique 2014
Bommmm diiaaa…. caros ouvintes do programa "A voz das crianças", com a locução de Aurora e Vitória, transmitindo a partir da Rádio Comunitária da nossa escola.

Cara Vitória, hoje vamos falar de um tema muito importante que é da responsabilidade e preocupação de todos.

Pois, pois, Aurora, hoje vamos falar do HIV e SIDA, de como isso afecta as crianças e as mulheres grávidas.

Isso mesmo Vitória vamos falar para as crianças e as suas famílias. Eu acho que vão perceber melhor o que é esta doença e como podemos conseguir ter uma vida longa, mesmo sendo uma doença que não tem cura.

Então vamos dar início ao nosso programa.

O HIV é o vírus que causa a SIDA, o vírus do HIV transmite-se de pessoa à pessoa. Como já disse, é uma doença que não tem cura, mas que pode ser tratada e as pessoas podem ter uma longa vida.

Os modos de transmissão do HIV são: sexo sem protecção; transmissão de mãe para bebé durante a gravidez, durante o parto ou durante a amamentação; transfusão de sangue; seringas não esterilizadas; agulhas ou facas utilizadas repetidamente em diferentes pessoas que podem estar infectadas pelo HIV.

O vírus do HIV não se transmite por picada de mosquito, nem por abraçar e beijar, nem por partilhar colheres, pratos e loiças.

Uma pessoa com HIV pode viver vários anos sem saber que tem o vírus, mas ela sem saber pode estar a infectar outras pessoas, mesmo as pessoas que ela mais ama na vida.

É importante que marido e mulher possam fazer o teste do HIV de forma voluntária, se você quere-se a se próprio e a sua família, fazer o teste do HIV é uma demostração de responsabilidade e amor.

Se você é seropositivo é melhor ir à um Centro de Saúde, onde irá receber os conselhos e os tratamentos de que precisa para combater a doença.

É importante que a família e a comunidade apoiem as pessoas seropositivas.

Discriminar, excluir, isolar não é humano e a família tem que ficar sempre junta.

Relatório Anual do UNICEF Moçambique 2014E é assim que vai-se desenvolvendo o programa que partilho com a minha amiga Aurora. As duas fomos convidadas para colaborar na Rádio Comunitária e de lá para cá, aproveitamos para partilhar as nossas ideias e opiniões dos colegas da escola, dos membros da comunidade, e tudo isso com milhares de crianças, adolescentes e jovens em todo o país. Foi a menina Júlia que nos deu a primeira oportunidade, apesar de não a conhecermos pessoalmente, ela tem sido a nossa assessora para produzirmos programas de qualidade. Júlia é uma menina que não tem medo de dizer o que pensa, mas sempre com respeito, e eu gosto disso.

No início enviavamos peças de 10 minutos para o programa da Júlia, mas as pessoas começaram a gostar da nossa participação e agora temos o nosso próprio programa que é transmitido duas vezes por semana em português e na língua local, na nossa rádio comunitária. Falamos de muitas coisas mas sobretudo dos direitos da criança, da nutrição, desaúde, e saneamento na comunidade, entre outros. A nossa popularidade está a crescer. Eu fico nervosa, mas as duas gostamos que a comunidade saiba quem somos. Gostamos de poder ajudar as pessoas e ser a sua voz.

Relatório Anual do UNICEF Moçambique 2014Os meus pais estão felizes connosco e muito orgulhosos, assim como os nossos vizinhos. Há duas semanas fizemos uma entrevista ao Administrador do distrito, por telefone, e ele nos disse que escuta o nosso programa, tendo-nos encorajado a continuar. O nosso "Clube dos Bradas" da Rádio também está a crescer e vou aproveitar esta oportunidade para convidar todas as crianças para vir participar no clube.

Aurora e eu temos muitos sonhos, fomos convidadas para participar numa formação na sede da Rádio Moçambique em Maputo, sobre técnicas de produção de programas de rádio de criança para criança. Aurora e eu estamos felizes e nervosas ao mesmo tempo de conhecer a grande cidade. Acho que vamos aprender muito.

Para finalizar esta história, deixo-vos uma poesia que fala sobre a saúde das crianças, espero que gostem.

Eu tenho um sonho que não é impossível

Eu tenho um sonho que não é impossível,
de crianças sem doenças transmissíveis,
Meu sonho, eu acho que é possível,
Com decisões correctas e de bom nível.

Há um mundo perfeito com adultos responsáveis
que não se expõem às doenças incuráveis,
não basta ter jeito para ser atraente,
é uma questão de inteligência para continuar vivo.

Um conselho aos adultos eu desejo dar,
É melhor fazer o teste cedo para depois não lamentar.
Eu tenho um sonho que é um sonho possível
De crianças livres do HIV e SIDA,
Para terem uma longa vida.
Eu tenho um sonho que podemos partilhar
Vamos todos juntos prevenir para não ter que tratar.

 

RESULTADOS: HIV e SIDA com o apoio do UNICEF

Em 2014, UNICEF apoiou o Governo na expansão dos serviços de prevenção da transmissão vertical (PTV), incluindo a Opção B+ (protocolos de tratamento simplificado que melhora a retenção e reduz a taxa de transmissão vertical), nas províncias de Tete, Maputo, Niassa, Sofala e Zambézia, através de formações, supervisão e monitoria de tratamentos antiretrovirais (TARV) para as enfermeiras de Saúde Materno-Infantil (SMI). Isso contribuiu para progressos significativos a nível do país com vista a eliminação da transmissão vertical do HIV. Os serviços de prevenção de transmissão vertical do HIV estão disponíveis em 82% (1.213) das 1.485 unidades de saúde, oferendo consultas pré-natais em todo o país. Noventa e sete por cento das mulheres grávidas portadoras de HIV recebem profilaxia para prevenção da transmissão vertical, sendo que 87% destas receberam TARV para PTV (Opção B).

O UNICEF, em parceria com a Fundação Clinton (CHAI), continua a contribuir para a expansão e melhoria do diagnóstico precoce através da inovação tecnológica, por meio da rede nacional de impressoras de SMS que permite a entrega imediata dos resultados de diagnóstico precoce infantil nas unidades periféricas. O retorno rápido dos resultados garante que crianças infectadas pelo HIV iniciem o tratamento o mais rápido possível, contribuindo para salvar mais vidas. Isso contribuiu para que no final de 2014, cerca de 60.768 crianças menores de 15 anos tivessem acesso ao tratamento anti-retroviral, o que corresponde a 50% de cobertura de todas as crianças elegíveis. Noventa e cinco por cento de todos os resultados de PCR foram enviados por meio de impressoras SMS. No entanto, a taxa de cobertura das crianças continua aquém da cobertura de anti-retrovirais para adultos (79%).

O UNICEF contribuiu ainda para a inclusão dos adolescentes (10-14 anos), como população prioritária na prevenção do HIV no novo Plano Estratégico Nacional de Combate ao SIDA 2015-2019.

Na Beira, o UNICEF apoiou o envolvimento comunitário e de grupos de educadores de pares de adolescentes na prevenção do HIV, aconselhamento e testagem, acesso ao tratamento anti-retroviral, bem como, serviços de saúde amigáveis para adolescentes e jovens (SAAJ).


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